Já faz mais de 6 anos que eu moro na Europa, especificamente em Portugal e tem algumas coisas que me pegaram um pouco de surpresa. Foi o famoso “choque cultural”.
E conversando com colegas de profissão, pessoas aqui do meu convívio, eu percebi que muitos empreendedores e empresários brasileiros passam pela mesma coisa.
As 3 principais, que eu acredito que mais senti, foram:
- A velocidade dos negócios é diferente.
Nós, brasileiros, principalmente quem vem de cidade grande como eu, que vim de São Paulo, por exemplo. Estamos acostumados com uma cultura muito ligada à urgência.
Tudo tem que ser rápido, prático.
Em Portugal, eu senti que isso nem sempre funciona. O ritmo aqui é totalmente diferente, o que nos obriga a ter um pouquinho mais de paciência.
- A forma de construir relacionamento profissional é diferente.
O brasileiro costuma ser muito comunicativo, informal e rápido na criação de proximidade. Faz parte da nossa cultura, é normal para nós sermos tão receptivos.
Já aqui em Portugal, a construção da confiança acontece de uma forma mais gradual.
Isso não significa que os portugueses não sejam receptivos, só constroem relações do jeito europeu de ser. E entender essa cultura deles facilita e muito as coisas.
3. O “não” pode ser mais direto do que você está acostumado
No Brasil, muitas vezes existe uma tendência de suavizar uma negativa: “vamos ver”, “talvez mais para frente”, “vou analisar”, “deixa eu conversar com alguém”.
Por aqui a comunicação tende a ser bem mais direta, sem muitos rodeios.
Uma resposta negativa pode ser simplesmente uma resposta negativa.
Não necessariamente significa que a pessoa não gostou de você, que a negociação acabou para sempre ou que existe algum problema pessoal.
A objetividade deles não é falta de interesse ou falta de cordialidade.
E gosto de ressaltar esse ponto porque sei que para nós, brasileiros, ser muito direto pode ser realmente um choque e tanto.
Sabemos que empreender não é fácil, em nenhum país, mas no meu caso, empreender e viver em Portugal me ensinou que internacionalizar uma empresa não é simplesmente atravessar uma fronteira, vai muito além disso.
E quanto antes você busca entender a cultura daquele país, como o mercado funciona, as relações, como os negócios são feitos, o choque diminui e a experiência pode se tornar ainda melhor.
Tabatha Walazak – Advogada especializada em Nacionalidade e imigração.
Tabatha Walazak é advogada especializada em mobilidade global e nacionalidade portuguesa. Com forte atuação presencial e estratégica nas Conservatórias e órgãos de imigração (Consulados e AIMA) em Portugal, Tabatha destrava a burocracia europeia para brasileiros. O seu foco é garantir processos de cidadania mais céleres e bem acompanhados e oferecer assessoria jurídica completa, de ponta a ponta, para vistos de residência para detentores de rendimentos próprios, nômades digitais e empresários, (D7, D8 e D2).